Diário da Região - 27/07/2007
Exportações regionais têm boas perspectivas
Comércio exterior |
Apesar da valorização do Real frente ao dólar, despachantes aduaneiros estão otimistas com relação ao rumo das exportações regionais no segundo semestre do ano. O motivo são as catástrofes mundiais, que resultaram em perda de alimentos, o que aumentou o interesse pela produção brasileira. O despachante aduaneiro Paulo Narciso acredita em um aumento nas exportações de pelo menos 20% no segundo semestre, em relação ao primeiro, liderado principalmente por causa da carne bovina e açúcar. "Tivemos um primeiro semestre muito forte, em que a indústria moveleira e as confecções exportaram muito para não perder mercado", disse Narcizo. Houve grande interesse também pelo suco concentrado de laranja e miúdos bovinos. Entre os principais compradores da região estão Dubai, Costa Rica, Chile, Estados Unidos e países da África.
O último levantamento divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostra que, de janeiro e maio deste ano, o volume exportado em dólar aumentou 69,4% em relação ao mesmo período do ano passado e atingiu US$ 690,9 milhões. Barretos, Catanduva e Bebedouro foram os recordistas entre os 41 exportadores regionais, com carne bovina e suco de laranja. Na Estação Aduaneira de Rio Preto (Eadi), o volume exportado no primeiro semestre deste ano já supera em 60,75% o registrado durante todo o ano passado. Foram US$ 10,605 milhões em 2006, contra US$ 17,048 milhões no primeiro semestre deste ano. Nos primeiros seis meses do ano passado, foram exportados pelo porto seco US$ 5,049 milhões. O diretor da Eadi, Vivaldo Mason Filho, acredita que deverá triplicar o volume embarcado com a exportação de carne bovina de dois frigoríficos neste segundo semestre. "Não existe crise para o mercado de carne, couro e suco de laranja, independente do preço do dólar", disse.
O aumento das exportações no primeiro semestre, segundo Mason, também foi motivado pelo agronegócio, com aumento no volume exportado de couro, frango, frutas, mudas e sementes. A despachante aduaneira Yvanna Garcia afirmou que, além do agronegócio, a reação do dólar (pelo segundo dia consecutivo, ontem) deverá ter um efeito positivo. "Nossa região é privilegiada em relação à outras industrializadas por causa do agronegócio", disse. A tese é confirmada pelo aumento dos certificados de origem emitidos pela Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp). O crescimento nos seis primeiros meses deste ano com relação ao mesmo período de 2007 foi de 106,51%. De janeiro até 15 de julho foram emitidos 1.252 certificados. Houve um aumento em dólar de 217,8% nas exportações referentes a esses certificados ao passar de US$ 12,363 milhões em 2006 para U$ 39,293 milhões este ano.
Gisele Bortoleto
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