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Diário da Região - 03/09/2007
Paralisação de fiscais prejudica empresas
Economia e Negócios
Depois de dez dias de greve, os fiscais federais agropecuários e o governo fecharam um acordo que prevê uma trégua na paralisação da categoria até o dia 16. Durante o período de paralisação, empresas da região de Rio Preto sofreram prejuízos. Os fiscais são responsáveis pela inspeção de cargas agrícolas que transitam pelos portos e aeroportos do País. De acordo com a despachante aduaneira Yvanna Garcia, mesmo nos casos em que era realizada a inspeção pelos fiscais e a carga liberada, a emissão do certificado de inspeção foi demorada, prejudicando a entrega do produto em outros países. Além da perda de credibilidade com os compradores, a armazenagem dos produtos nos portos do País representou um grande prejuízo para as empresas. O despachante aduaneiro Paulo Narcizo disse que, apesar dos fiscais terem liberado produtos perecíveis, a greve provocou grandes filas nos portos, principalmente em Santos, causando alguns prejuízos.

Em Rio Preto, segundo o diretor da Estação Aduaneira do Interior (Eadi), Vivaldo Mason Filho, as filas durante as paralisação foram muito menores que em Santo. “Os fiscais têm liberado 30% do total exportado pelas empresas, mas estamos conseguindo agendar os embarques com antecedência para não ficarmos com muitos contêineres parados”, disse. Segundo Mason Filho, muitas empresas que fazem o embarque direto no porto de Santos utilizaram a Eadi de Rio Preto. “A fila aqui é menor, mas enfrentamos os mesmos problemas.” Ele aguarda 20 contêineres de importação que estão parados em Santos. “Por causa das embalagens de madeira, todos os produtos são vistoriados na entrada no Brasil”, afirmou.

Os produtores que têm sofrido mais prejuízos com a greve dos fiscais na região são aqueles que vendem limão e mudas ornamentais. “A entrega está atrasada e os exportadores estão sendo obrigados a pagar mais pela armazenagem desses produtos”, afirmou Yvanna. De acordo com Takashi Mario Okada, diretor da Frango Sertanejo, os armazéns dos portos estão lotados e as saídas mais demoradas, mas o fluxo da exportação dos frigoríficos paulistas ainda não foi prejudicado. Ele destaca, no entanto, que as grandes empresas têm vendido seus produtos a preços mais baixos no mercado interno, para não ficar com estoques encalhados.

Acordo
O acordo entre governo e fiscais foi anunciado na tarde de ontem pelo ministro interino da Agricultura, Silas Brasileiro, e pelo presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, Marcos Montes (DEM-MG). O ministro Reinhold Stephanes está no México, mas, por telefone, pediu que seu interino recebesse da direção da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) as reivindicações da categoria. Stephanes também pediu que Silas marcasse uma reunião de trabalho para discutir o pedido dos fiscais e a proposta do governo. O encontro foi marcado para a próxima quarta-feira. No dia seguinte, uma proposta conjunta elaborada pelos fiscais, pelos deputados e pelo ministério deverá ser levada por Stephanes para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A condição do governo para reabrir as negociações com os fiscais foi a suspensão da greve. Ao anunciar a trégua, Silas e Montes distribuíram um documento que contém as propostas do governo, que é de reajuste nos percentuais da gratificação da categoria da seguinte maneira: 15% em fevereiro de 2008, 15% em fevereiro de 2009 e 15% em fevereiro de 2010, quando a gratificação chegaria a 100%. A proposta dos fiscais é de reajuste de 15% sobre o vencimento básico ainda em 2007, 15% em fevereiro de 2008 e 15% em fevereiro de 2009.

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