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Diário da Região - 25/10/2007
Região amplia exportações
Mercado externo

Apesar da contínua queda do dólar - nesta semana, a moeda norte-americana chegou a fechar abaixo de R$ 1,80 - as exportações da região de Rio Preto aumentaram 61,7% nos primeiros nove meses deste ano em relação ao mesmo período de 2006. Entre janeiro e setembro desse ano, as vendas ao exterior resultaram em mais de US$ 1,27 bilhão a empresas de 41 municípios do Noroeste paulista, contra US$ 790 milhões no ano passado. Com a valorização do Real, as importações também aumentaram, mas em proporção menor (22,5%). Segundo último levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), região gastou cerca de US$ 41,57 milhões na compra de produtos no exterior. Mesmo assim, o saldo da balança comercial dessas cidades atingiu US$ 1,23 bilhão no período. "Não somos uma região importadora. Somos fortes no segmento agrícola, que continua em alta, apesar da desvalorização do dólar", disse Vivaldo Mason Filho, diretor da Estação Aduaneira Interior (Eadi) de Rio Preto. Segundo ele, com a manutenção do Real valorizado, a tendência é que mais empresas invistam em novos equipamentos no próximo ano, para ampliar a produção.

Ainda de acordo com ele, açúcar e carne representam, sozinhos, quase 90% do volume exportado pelo Noroeste paulista. "Como somos fortes nesses setores, os exportadores podem ampliar o preço, não sofrendo perdas por causa da desvalorização cambial. Além disso, muitos frigoríficos e usinas recebem em euro", afirmou. O despachante aduaneiro Paulo Narcizo também comemora o ano positivo para o comércio exterior na região. Segundo ele, mesmo indústrias moveleiras e confecções, prejudicadas pela concorrência chinesa no mercado internacional, conseguiram ampliar mercado em alguns países. "Novas empresas, que estão conseguindo maior valor agregado, têm se instalado na região", disse. Dos municípios da região, Catanduva foi o que mais exportou, obtendo US$ 243,2 milhões com as vendas para o exterior entre janeiro e setembro deste ano. Barretos é a segunda colocada no ranking, responsável por US$ 190,9 milhões do total obtido pelos municípios exportadores. Em Bebedouro, as empresas venderam US$ 141,3 milhões aos países do exterior.

"Na pauta de exportações, carne, couro e açúcar têm se destacado. No próximo ano, a participação do álcool também deve ser maior", disse o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Hipólito Martins Filho. Segundo ele, suco de laranja e frango também estão entre os principais produtos exportados. Em Rio Preto, as exportações em 2007 resultaram em pouco mais de US$ 23 milhões. O município fica atrás de cidades como Sebastianópolis do Sul (US$ 23,2 milhões) e Novo Horizonte (US$ 23,3 milhões) na lista dos principais exportadores da região. No município, se destacam entre os produtos mais vendidos miúdos bovinos, provenientes da região de Marília, e mudas ornamentais. "Em Rio Preto, a indústria de confecções é uma das que mais se destacam, mas o setor não consegue agregar valor à produção para fugir da concorrência com os baixos preços dos produtos chineses", disse Narcizo. Para ele, a boa notícia com a desvalorização do dólar é a possibilidade de modernização do parque industrial rio-pretense no próximo ano.

Apenas na Eadi de Rio Preto, segundo Mason Filho, as exportações saltaram de US$ 10 milhões em 2006 para cerca de US$ 30 milhões até outubro. O agronegócio, que alavancou o bom desempenho da região, também foi responsável pelo crescimento desse porto seco. "No início do ano, conseguimos autorização do Ministério da Agricultura para o transporte de produtos de origem animal". disse. Além do Frango Sertanejo, de Guapiaçu, a Eadi tem feito remessas para outros frigoríficos, com os quais pretende fechar acordo para o ano todo. e planeja triplicar as exportações em 2008.

Aladim fabrica doces para judeus ortodoxos
A Aladim Alimentos, de Mirassol, inicia a exportação hoje de 90 toneladas de doces, entre balas e pirulitos, para França, Estados Unidos, Reino Unido e Israel. Esses produtos foram fabricados de acordo com as regras de produção "kosher", um certificado emitido para atestar que os produtos de uma determinada empresa obedecem as normas específicas que regem a dieta judaica ortodoxa. Além de cuidados especiais com o uso de insumos e nos métodos de fabricação, os produtos kosher são inspecionados constantemente por um rabino designado pela instituição compradora para que nenhuma etapa da produção fuja das especificações do selo. A Aladim teve contato com este tipo de produção em Curitiba (PR) e na Alemanha, em feiras realizadas nos últimos dois anos.

Neste ano, a empresa conseguiu fechar a venda de produtos para a organização israelense Badatz (Eida Charedit), conhecida pela inspeção e exigências de produção que atendem as necessidades dos mais ortodoxos religiosos judeus. "Além de uma inspeção prévia para autorizar a fabricação dos alimentos, um rabino acompanhou todo o processo na indústria, conferindo desde as matérias-primas utilizadas até os métodos de higienização dos maquinários e instalações", disse o diretor de marketing e vendas da Aladim, Mario Fazan Júnior. Segundo ele, o maior ganho da indústria com esta venda é o know-how que a empresa adquire ao fabricar produtos tão específicos. "Os responsáveis que acompanham a produção são pessoas com experiência de mercado no mundo inteiro. Trazem para a fábrica um ganho muito grande em processos e métodos que vamos adotar em todos os produtos para venda no mercado externo."

Os investimentos em treinamento e maquinário para adequar a produção ao complexo sistema de produção kosher não foram divulgados. Na linha de produção, os funcionários tiveram de se adaptar a um novo horário, já que os judeus não trabalham de sexta-feira à tarde a sábado à noite. Para esses produtos, a glicose e o açúcar utilizados possuem o selo kosher e os aromas foram importados de Israel, pois não havia fornecedores deste material aqui no Brasil. Os processos complexos de produção kosher encarecem o produto em cerca de 25%, mas os compradores pagam bem pela qualidade. Os produtos serão exportados a partir de hoje pela Eadi de Rio Preto. Uma nova remessa deve ser feita em novembro.



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