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- 20/10/2008
Em 3 anos, muitos caminhos
Logística

Liza Mirella - Diário da Região


São José do Rio Preto, 5 de outubro de 2008

A execução de uma série de projetos consolidarão, nos próximos três anos, a região Noroeste paulista como um pólo de logística multimodal. Até 2011, a região deve ganhar uma ligação com a Ferrovia Norte-Sul, um poliduto até Paulínia e Santos e ligação rodoviária com Bolívia, Chile e Peru.
Ao mesmo tempo, a região deve receber investimentos para duplicação da rodovia Euclides da Cunha e se intensificam as ações para conseguir, junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), autorização para o aeroporto Eribelto Manoel Reino, de Rio Preto, operar cargas internacionais. Em outra frente, América Latina Logística (ALL), que opera a única ferrovia que corta a região, planeja construir um centro de armazenagem de açúcar em Rio Preto.

O Noroeste paulista, que já é servido por duas importantes rodovias, a Transbrasiliana (BR-153) e a Washington Luís (SP-310), também é privilegiada pela hidrovia Tietê-Paraná, para qual a Petrobras desenvolve um projeto para escoar etanol. O cronograma dos projetos em andamento prevê a inauguração da rodovia Interoceânica, que passa por Brasil, Bolívia e Chile, em setembro do ano que vem, e do Corredor Interoceânico, que liga o Brasil ao Peru, em 2010. O processo de licitação para a duplicação da rodovia Euclides da Cunha deve terminar também em 2010. Já a conclusão dos projetos do construção de um poliduto pela Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco) e do acesso ferroviário da região a Porto Murtinho (MS) ficam para 2011.

Ligações interoceânicas
Mas não é apenas de ligações rodoviárias diretas que a região se beneficia. Os acessos à rodovia Interoceânica, uma via com cerca de 3 mil quilômetros de extensão que passa por Brasil, Bolívia e Chile ligando o oceano Pacífico ao Atlântico, devem agilizar o transporte de cargas e diminuir o custo do frete. Com previsão de inauguração em setembro de 2009, a estrada liga o porto de Santos aos portos de Arica e Iquique, no Chile. No Brasil, são 1,5 mil quilômetros. No Estado, o trecho faz a rota dos municípios de Santos, Botucatu, Bauru, Lins e Andradina. Embora não passe pela região de Rio Preto, há uma série de rodovias que permitem o acesso à Interoceânica, como a BR-153 e as SPs 461, 463 e 595.

O grande investimento brasileiro será feito na BR-262, que corta o Estado do Mato Grosso do Sul. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) garante recursos da ordem de US$ 250 milhões para recuperar a estrada e construir a ponte que liga o Mato Grosso do Sul ao Estado de São Paulo, em Três Lagoas. A região Noroeste paulista também tem acesso aos portos do Peru por outra rota, o Corredor Interoceânico, em implantação pelos governos dos dois países desde 2005. A estrada de 2.586 quilômetros liga a fronteira do Peru com o Brasil (Estados do Acre e Rondônia) aos portos do Pacífico (Illo, Matarani e San Juan de Marcona). Segundo informações da entidade Iniciativa para Integração da Infra-estrutura Regional Sulamericana (Iirsa), a expectativa é que as obras sejam concluídas em 2010.

Eadi amplia armazenagem
Com oito anos de atuação, a Eadi de Rio Preto prevê a ampliação da capacidade de armazenagem, que vai passar de 100 para 300 carretas, com a verticalização de seu armazém alfandegário. As obras para construção de mais dois andares já começaram e devem ser concluídas até o fim do ano. "O porto seco de Rio Preto é uma opção interessante para liberação de cargas para a região Noroeste paulista como para a Centro-Oeste", afirma o diretor Vivaldo Mazon Filho. Entre os clientes, ele cita as cidades paulistas de Barretos, Fernandópolis, Araçatuba, Marília, Rio Preto, além de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Os principais produtos importados pelo local são matérias-primas para a indústria (alimentícia, química, de fertilizantes, entre outras), máquinas e equipamentos. Já os exportados são couro, carne móveis, alimentos e implementos agrícolas. "O movimento tem crescido a cada ano", afirmou.

Prova disso são os dados estatísticos da Eadi. Entre janeiro e setembro deste ano as exportações cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram exportados US$ 39.627.745,24 nos nove primeiros meses de 2008 e US$ 32.334.181,33 no mesmo período de 2007. O incremento das importações foi ainda maior, de 85% no mesmo período. Foram importados US$ 24.792.053,56 entre janeiro e agosto de 2008 ante US$ 13.371.121,14 no mesmo período de 2007. As causas para o crescimento são, entre outras, investimentos em infra-estrutura e autorizações para despachar e receber cargas como fogos de artifício e material químico. A Eadi de Rio Preto é a única do País com autorização para operar cargas vivas.



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