São José do Rio Preto, 3 de junho de 2009 - Diarioweb - http://www.diarioweb.com.br/noticias/corpo_noticia.asp?IdCategoria=2&IdNoticia=122070 Liza Mirella Se para as exportações a desvalorização do dólar é prejudicial, para as importações o efeito é o contrário. Traders de Rio Preto observam movimento maior nesse tipo de negócio, impulsionado pela queda da moeda norte-americana, especialmente depois que rompeu o piso dos R$ 2. Quem também pode sair ganhando são os turistas que vão viajar para fora do país e os consumidores de alguns produtos importados, como utensílios domésticos. Representantes dos dois setores revelam queda nos preços. A despachante aduaneira Yvanna Garcia, da Multiways, diz que houve aumento expressivo na importação de matéria-prima, mas não de produtos de consumo direto, como alimentos e de higiene pessoal. "Essa importação não é ruim porque o produto não vem totalmente pronto. Ele será transformado, o que vai fazer movimentar a economia", afirma. Entre as principais matérias-primas importadas destacam-se o aço, EPS (para fazer isopor), itens para indústria moveleira como parafusos, máquinas e também produtos químicos.
Balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio mostra que houve aumento de 697,90% nas compras de porcas de ferro fundido até o mês de maio. O volume importado passou de US$ 16.526 para US$ 131.861. Paulo Narcizo Rodrigues, despachante aduaneiro da Caribbean Express, estima que entre abril e maio deste ano houve um aumento de 35% no volume de importações em sua empresa. "É um movimento recente, mas já perceptível." Para o diretor da Estação Aduaneira de Rio Preto (Eadi), Vivaldo Mason Filho, 75% das importações da região de Rio Preto ocorrem no segundo semestre do ano, mas dentro de 60 dias já deve ser observado um crescimento significativo. "Muitas empresas vão importar com o dólar nesse patamar e, ao invés de o empresário comprar 30 contêineres, por exemplo, compra volume maior." Consumo O reflexo do câmbio no preço dos produtos acabados importados ainda é discreto. A redução varia entre 5% e 10% em alguns itens que compõem a linha de utilidade doméstica e de decoração. "Com o preço mais baixo, dependendo do produto, fazemos promoção e em outros mantemos o valor", afirma Afonso de Paula, proprietário da Multipresentes. Por outro lado, a importadora Daniela Crespo, da Stock House, diz que efetivamente, o reflexo vai ocorrer somente no ano que vem. Isso porque a empesa já comprou o que vai ser comercializado neste ano, como itens de Natal e de decoração. O que ela vai comprar agora está previsto para chegar em outubro e somente será vendido em 2010. "Um fornecedor não produz a mercadoria se não receber parte ou todo o pagamento", explica. Pacote turístico fica mais barato Um dos setores que mais sente o movimento se aquecer por conta da queda nos preços motivada pela desvalorização do dólar é o das agências de turismo. "Dois fatores estão atraentes aos turistas: a queda do dólar e algumas tarifas promocionais", afirma o delegado da Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior de São Paulo (Aviesp) e proprietário da agência Discover Tours, Sebastião Pereira Martins. Segundo Maria Tereza Salles, proprietária da Brasil Tours, as férias de julho podem ficar ainda mais interessantes em função da queda de cerca de 10% no preço dos pacotes internacionais. "É uma queda considerável. O turista não pensa só no pacote, mas também nos gastos que a viagem traz", diz. Ela diz que a economia de dinheiro para duas pessoas que pretendem viajar pode chegar até R$ 1 mil. Um pacote para Buenos Aires, Argentina, com quatro noites de hotel categoria primeira (luxo) sai hoje por R$ 2.100, economia de R$ 400. Os cruzeiros também estão com preços convidativos, motivados pelo dólar e por promoções pontuais, segundo Maria Tereza. Uma viagem de quatro noites passando por Santos, Rio de Janeiro, Búzios e Angra custa R$ 1.550 para duas pessoas. Antes da queda do dólar, custava R$ 1.900. Até abril, saldo é de queda Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio revela que, até abril, Rio Preto importou 13% a menos em volume financeiro do que no mesmo período do ano passado. O valor caiu de US$ 11.037.718 nos quatro primeiros meses do ano passado para US$ 9.591.032 no mesmo período deste ano. Mesmo com a redução, os principais resultados positivos foram observados na compra de matérias-primas vindas do exterior. O destaque foram as compras de porcas de ferro fundido, ferrou ou aço que tiveram alta de 697,90%, passando de US$ 16.526 entre janeiro e abril do ano passado para US$ 131.861 entre janeiro e abril deste ano. Em seguida surgem os fogos de artifício, que tiveram alta de 384,23% no período, passando de US$ 17.861 para US$ 86.489. Outros tornos tiveram alta de 123,50%, passando de US$ 238.417 para US$ 532.868. No lado negativo, o destaque são as vendas de mármore, que reduziram 81,51% no período, ao passar de US$ 394.208 para US$ 72.888. Em seguida, surgem as vendas de itens como sondas, catéteres e cânulas, que caíram 55,84%, passando de US$ 119.419 para US$ 52.733.
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