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01/02/2009
Aumento de exportação é menor que de importação
Apesar de o saldo da balança ter caído 7,2%, o resultado de 2008 foi positivo

Daniel Azevedo - http://www.redebomdia.com.br

O saldo da balança comercial do agronegócio paulista caiu 7,2% em 2008 e terminou o ano com saldo positivo de US$ 9,27 bi. O principal motivo foi o aumento de 40,7% nas importações (US$ 7,7 bi) enquanto as exportações cresceram 9,9% (US$ 17 bi).

Segundo o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, isso se explica pelo câmbio desfavorável (dólar baixo) até outubro. "Quando o dólar começou a subir, depois da crise, não houve recuperação pois nossos maiores compradores não tinham dinheiro", diz.

Os cinco principais produtos exportados pelo Estado de São Paulo são, pela ordem, cana-de-açúcar (US$ 5,2 bi), bovinos (US$ 3,3 bi), frutas (US$ 2,1 bi), produtos florestais (US$ 1,9 bi) e insumos (US$ 1 bi).

No entanto, ao contrário da crença em que só a indústria traz desenvolvimento, 78,8% destas importações são industrializadas.

Em todos os níveis
"O agronegócio é uma vocação do Brasil e São Paulo faz 54,6% das exportações nacionais do agronegócio. O agronegócio produz riqueza em todos os níveis", afirma.

Algumas das principais barreiras para as exportações são técnicas e alfandegárias. "Os EUA, por exemplo, cobram 100% de imposto para o álcool e a laranja." Quanto às técnicas, o exemplo é a exigência japonesa de não haver vacinação contra aftosa, nem a doença, para comprar carne bovina.


Barreiras freiam comércio da carne
Mesmo com a maior produção, com melhor preço e qualidade no mundo, as barreiras às exportações diminuem o mercado para carne brasileira. "Estamos fora de 60% do mercado internacional por algum tipo de barreira, seja tributária ou técnica pelo medo dos nossos concorrentes."

A frase é do diretor executivo da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Otávio Cançado, que prevê a redução gradual deste protecionismo. "Vendemos para 150 países mas importantes mercados estão fechados pelo protecionismo, tarifações e barreiras técnicas injustificáveis", diz.

Entre estes países estão Estados Unidos, Japão, Coréia e membros da União Européia. "Os subsídios chegam a US$ 1 bilhão ao dia. Vai chegar o momento em que estes países não poderão mais bancar isso", afirma.

Sobre as barreiras técnicas, existem outros exemplos como o não reconhecimento do país estar livre de aftosa simplesmente por vacinar o gado. "Isso é um absurdo pois a vacina previne o vírus. Além disso, os processos de maturação e desossa eliminam todo risco."


Frutas estão por todo Estado
As frutas, que estão pulverizadas por todo Estado, representam, atrás da cana e da carne bovina, a terceira produção  mais exportado por São Paulo, seja in natura ou processada.

Segundo o engenheiro agrônomo do Ibraf (Instituto Brasileiro das Frutas), Clóves Ribeiro, apesar destes números, o fruticultor paulista privilegia o mercado interno. "O fruticultor prefere vender internamente pela proximidade, mas poderia exportar ao mesmo tempo."

Mas muitos já perceberam a possibilidade de grandes lucros com a exportação e conseguiram certificados como o Global Gap. "Cada vez mais os produtores estão melhorando sua produção e se adequando aos padrões de exigência internacionais", diz.

Outra dica do especialista para ampliar a renda e ganhar clientes é processar as frutas. "Isso permite mais lucro e menos perdas do que a fruta in natura."

Algumas das principais frutas exportadas por São Paulo são a laranja (Limeira), limão (Araraquara e Rio Preto), Figo (Valinhos), Uva (Jundiaí), caqui (Sorocaba) e abacate (Bauru). 



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